Bioquímica
Artigo
São Paulo, 11.06.2024
Resumo
O sistema endocanabinoide (SEC) é um complexo de sinalização que desempenha um papel crucial na regulação de várias funções fisiológicas. Este artigo revisa a estrutura, função e importância clínica do SEC, abordando a bioquímica dos endocanabinoides, seus receptores, enzimas e interações com outros sistemas de neurotransmissão. A relevância do SEC em doenças neurológicas e psiquiátricas também é discutida, destacando seu potencial terapêutico.

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A Bioquímica do Sistema Endocanabinoide: Estrutura, Função e Relevância Clínica
O sistema endocanabinoide (SEC) é composto por endocanabinoides, receptores de canabinoides e enzimas envolvidas na síntese e degradação desses ligantes. Descoberto na década de 1990, o SEC tem sido amplamente estudado devido à sua influência em processos biológicos essenciais, como dor, humor, apetite e memória. Este artigo fornece uma visão abrangente da bioquímica do SEC, enfatizando suas implicações clínicas.
Estrutura dos Receptores Canabinoides
Os principais receptores do SEC são o CB1 e CB2, ambos acoplados à proteína G. O receptor CB1 é predominante no sistema nervoso central, enquanto o CB2 é mais comum no sistema imunológico (Figura 1).
Figura 1 - Receptor pré sináptico CB1, Rang & Dale, 2020
Fonte: Rang & Dale, 2020. Divulgação © INFO HEMP Cultura & Ciência
Endocanabinoides: Ligantes Endógenos
Os principais endocanabinoides são a anandamida (AEA) e o 2-araquidonoilglicerol (2-AG). A AEA é sintetizada a partir do N-arachidonoyl phosphatidylethanolamine (NAPE) pela enzima NAPE-PLD, enquanto o 2-AG é produzido a partir de diacilglicerol (DAG) pela diacilglicerol lipase (DAGL) (Figura 2)
Figura 2: Metabolismo dos neurotransmissores [canabinoides endógenos/endocanabinoides]: AEA e 2-AG;
 
Fonte: Rang & Dale, 2020. Divulgação © INFO HEMP Cultura & Ciência
Enzimas Involvidas no Metabolismo dos Endocanabinoides
A hidrólise da AEA é catalisada pela amida hidrolase de ácidos graxos (FAAH), e a do 2-AG pela monoacilglicerol lipase (MAGL). A inibição dessas enzimas aumenta os níveis de endocanabinoides, o que pode ter efeitos terapêuticos. Quer dizer, as enzimas FAAH (Amida Hidrolase de Ácidos Graxos) e MAGL (Monoacilglicerol Lipase), são responsáveis pela degradação dos endocanabinoides anandamida (AEA) e 2-araquidonoilglicerol (2-AG), respectivamente. 

A FAAH, localizada nas membranas plasmáticas e mitocondriais, degrada a AEA produzindo ácido araquidônico e etanolamina, enquanto  a MAGL, encontrada nas membranas plasmáticas, degrada o 2-AG gerando ácido araquidônico e glicerol. Ambas as enzimas estão amplamente distribuídas no sistema nervoso central, mas a FAAH também é encontrada no fígado e rim, e a MAGL nos adipócitos. 

Inibidores específicos, como URB597 para FAAH e JZL184 para MAGL, são importantes para aumentar os níveis de endocanabinoides, oferecendo alvos terapêuticos para o tratamento de condições como dor crônica, inflamação, ansiedade e controle energético. A compreensão dessas enzimas é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas relacionadas ao sistema endocanabinoide. (Tabela 1)
Tabela 1 - Comparativo entre as Enzimas FAAH e MAGL
Fonte: Tabela desenvolvida a partir das referências deste artigo
Funções Fisiológicas do Sistema Endocanabinoide
De acordo com a nossa revisão, o SEC regula várias funções fisiológicas, incluindo:

>> Apetite e Metabolismo Energético: 
A ativação dos receptores CB1 aumenta a ingestão de alimentos.

>> Modulação da Dor e Inflamação:
Os endocanabinoides desempenham um papel analgésico e anti-inflamatório.

>> Humor e Respostas ao Estresse: 
A AEA e o 2-AG são importantes na modulação do humor e respostas ao estresse.
Interações com Outros Sistemas de Neurotransmissão
Os endocanabinoides modulam a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e glutamato. Essas interações são críticas para o entendimento de como o SEC influencia comportamentos e processos fisiológicos.
Relevância Clínica e Terapêutica do Sistema Endocanabinoide
O sistema endocanabinoide (SEC) está envolvido em várias doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo epilepsia, esclerose múltipla, doença de Parkinson, ansiedade e depressão. O uso de canabinoides exógenos como THC e CBD tem mostrado potencial terapêutico em diversas condições clínicas. Neste sentido, de acordo com STAROWICZ; NIGAM; DI MARZO (2007) a presença de receptores CB1 em áreas como o hipocampo, córtex e gânglios da base, no sistema nervosos central (SNC), está correlacionada com a modulação de processos cognitivos e comportamentais. Já, a expressão de CB2 em células imunes, do sistema imunológico, sugere um papel na regulação da resposta inflamatória e imunológica.
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Produção: INFO HEMP TEAM
TAGS
Cannabis, Maconha, Farmacopeia Brasileira, Ciência, Saúde, InfoHemp
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